CAMÕES PARA CRIANÇAS E JOVENS - Parte 1 Sonetos
Hoje em dia a juventude não sabe quem é Camões e não quer saber. Vamos ver se conseguimos então explicá -lo aos jovens.
Camões foi um jovem que gostava de festas como toda a juventude. Colecionava namoradas. Um dia uma, outro dia outra, outro dia outra...
Não as conquistava com danças, flores e linhas tipo:
- "És boa como o milho"
- " Já alguém te disse que brilhas mais que um diamante? Estás mesmo bonita"
- "Estás uma gata! Miau!"
Ok, flores era capaz de o fazer. Se houvesse alguma à mão ao pé, arrancava e dava. Mas não se ficava por aí... para fingir ser rico (que não era) criava um poema ou rimas, com palavras de 5000 euros à rapariga. O tipo era tão bom a falar que elas caíam que nem patos. Uma delas chamava-se Leonor. Ainda hoje em dia, na Escola, se estuda o poema que o Camões lhe disse para ver se a conquistava e a levava a dar uma volta. Eis um pouco do poema.
"Descalça vai para a Fonte
Descalça vai para a Fonte
Leonor pela verdura,
Vai fermosa e não segura.(...)"
Traduzindo o Camões para o século XXI: " Ó Leonor és tão bonita... Eu sei que gosta de mim. Não te faças de tímida. Anda cá para falamos."
Simples né? Mas naquela altura falavam de forma diferente por isso custa a perceber. Enfim, os poemas que fez ás namoradas estão compilados num livro chamado Sonetos. Depois ainda havia as apostas. Pois é. Os Poetas naquela altura desafiavam-se uns aos outros para ver quem era o melhor. Foi o caso do poema do Perdigão. Disseram ao Camões que não conseguia fazer um poema com uma frase ao calhas e ele disse que sim. Apostaram uma bebida.
Resultado? Paga meu filho! Ainda hoje se estuda e se sabe o poema da aposta. O título que tinha era: "Perdigão perdeu a pena, não há mal que lhe não venha"
VERSÃO ORIGINAL VERSÃO TRADUZIDA:
Perdigão perdeu a pena O Perdigão fez uma "asneira"
Não há mal que lhe não venha. Agora anda em maré de azares
Perdigão que o pensamento - > O Perdigão apaixonou- se
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar, -> Por uma rapariga noiva ou casada
Ganha a pena do tormento. - > acabou por levar "uma coça"
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha: -> Agora está sózinho, falido e desempregado
Não há mal que lhe não venha. - > Ninguém o quer ajudar (por medo de lhes tirarem tudo a eles também)
Quis voar a uma alta torre, -> Quis conquistar uma rapariga rica
Mas achou-se desasado; -> mas foi impedido
E, vendo-se depenado, -> Agora falido e desempregado
De puro penado morre. -> Sente-se tão triste por estar longe dela...que só lhe apetece morrer.
Se a queixumes se socorre, -> Quanto mais implora por ajuda, pede perdão ou pede que reconsiderem deixá-los ficarem juntos
Lança no fogo mais lenha: -> Mais piora a situação
Não há mal que lhe não venha. -> Está mesmo "tramado", não podia terfeito pior escolha. Agora sofre as consequências.
VERSÃO TRADUZIDA:
Perdigão perdeu a pena = O Perdigão fez uma "asneira"
Não há mal que lhe não venha. Agora anda em maré de azares
- > O Perdigão apaixonou- se
-> Por uma rapariga noiva ou casada
- > acabou por levar "uma coça"
-> Agora está sózinho, falido e desempregado
- > Ninguém o quer ajudar (por medo de lhes tirarem tudo a eles também)
-> Quis conquistar uma rapariga rica
-> mas foi impedido
-> Agora falido e desempregado
-> Sente-se tão triste por estar longe dela...que só lhe apetece morrer.
-> Quanto mais implora por ajuda, pede perdão ou pede que reconsiderem deixá-los ficarem juntos
-> Mais piora a situação
-> Está mesmo "tramado", não podia terfeito pior escolha. Agora sofre as consequências.
Mais uma vez, podemos achar este tipo de poemas num livro chamado Sonetos. Este livro é mencionado nas escolas nas aulas de Português.
Hoje ficamos por poesia, amanhã...Os Lusíadas. A novela, que afinal é mais telenovela que sei lá o quê.